Loading...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Memórias de um sargento de milícias


Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida

Nascido na época do nosso ultra-romantismo mais descabelado, é difícil definir que tipo de romance (há os que afirmam ser uma novela picaresca, em que o herói é um anti-herói, divertido e que se mete em muitas encrencas, e em que o enredo não é o forte) é Memórias de um sargento de milícias. O certo, no entanto, é classificá-lo como romance extemporâneo, uma vez que, nascido em pleno Romantismo, tem características tipicamente realistas. Além disso, é o primeiro romance que se liberta do conservadorismo assemelhado ao de Portugal e traz à luz um modelo brasileiro de narrativas e falares típicos, ou seja, primeira afirmação de um romance genuinamente nacionalista entre nós.
Esse romance é importante para destacar a sociedade da época, principalmente no que se refere à linha da ordem social. Os personagens constantemente variam entre a ordem e a desordem, não são nem bons nem maus, nem ricos nem pobres, sem profundidade psicológica: simplesmente pessoas comuns. Inicia-se também nesse livro uma cultura que será bastante cultuada em nossa literatura ao longo do século seguinte: o malandro.
A Parte I começa pela expressão: "Era no tempo do Rei." De que rei? Possivelmente de D. João VI e a época da chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808. O romance tem este tom narrativo-designativo como se o narrador fosse o condutor do leitor a um mundo pouco convencional ao romance da época: um mundo formado de criaturas comuns, na periferia e nunca na corte, gente como o Barbeiro, a comadre, Vidinha, Luisinha, Maria da Hortaliça e Leonardo Pataca, o pai. Gentinha, gentalha, o "Zé-povinho".
Leonardo, o protagonista, é nascido de "uma pisadela e de um beliscão", abandonado pelos pais que o deixam sob os cuidados do padrinho, cresce ao deus-dará, sem temer nada ou ninguém, movido pelo prazer e pela alegria de viver. É dessa forma que podemos aproximá-lo de Macunaíma, outro herói sem nenhum caráter.
Foge da tradição romântica do par amoroso bem-aventurado: tanto Leonardo como Lusinha são seres nada extraordinários: se ele é filho de "uma pisadela e de um beliscão", Luisinha é uma moça feia, de olhos baixos e franja a cobrir os olhos, braços compridos, roupas esquisitas que "tendo perdido as graças de menina ainda não alcançara as graças de mulher".


Quem quiser comprar os livros, vale procurar preços na Saraiva, nas Americanas e no Submarino. Sem dúvida, os melhores preços.


Não deixe de também SEGUIR ESTE BLOG. 


Enredo

A história é a seguinte: Leonardo Pataca e Maria da Hortaliça, os pais de Leonardo, vêm de Portugal no mesmo navio. E se tornam amantes na travessia. Nascido, pois, de "uma pisadela e de um beliscão" (nome dado às cantadas àquela época), o pequeno vem ao mundo no Rio de Janeiro, na periferia, onde os pais foram morar. Leonardo Pataca era um meirinho corrupto e a mãe uma mulher de costumes socialmente condenáveis. Deram-no para ser batizado pela comadre, parteira e benzedeira, e pelo compadre, um barbeiro bonachão que acabou por criar o menino porque os pais o abandonaram à própria sorte (a mãe fugira com o capitão do navio que os trouxera ao Rio).
O padrinho queria fazê-lo advogado ou padre, mas nada conseguiu, uma vez que o menino não se deu bem na escola e sequer como coroinha.
Tornou-se moço entre as gentes das mais baixas camadas sociais e se apaixonou por Luisinha, moça órfã de quem dona Maria conseguiu a tutela. Depois de brigar em casa após não ter visto Luisinha, Leonardo foge e acaba vivendo um período como agregado de uma outra família, da qual faz parte Vidinha, uma paixão momentânea. Enquanto isso, Luisinha acaba se casando com o rico advogado José Manuel.
 Leonardo, que nessas alturas era um "vadio-mestre" era constantemente perseguido e preso pelo Major Vidigal. Por obra de fuxicos das comadres, consegue-se um posto nas milícias para Leonardo, através do Major Vidigal.
Luisinha fica viúva, Leonardo vai, está claro, tê-la para si: rica, linda, porque agora, finalmente, ganhara as tais "formas de mulher".



Se alguém tiver alguma dúvida ou quiser mais algum detalhe, basta pedir aqui, nos comentários.